Índice
ToggleOs protestos de 2013 e a queda acentuada de passageiros após a pandemia deixaram claro que a população está descontente com o transporte público no Brasil.
Além de prejudicar a qualidade do serviço, que é um direito do cidadão, os problemas do transporte coletivo ameaçam a sustentabilidade e a mobilidade urbana.
Com menos pessoas usando o transporte público, mais automóveis circulam nas ruas, resultando em um quadro caótico de congestionamentos, acidentes de trânsito e poluição do ar.
Portanto, o transporte público no Brasil precisa de uma reformulação completa. Isso é consenso. Mas como aplicar na prática? Continue a leitura para conhecer as propostas da CWBUS.
Cenário atual do transporte público no Brasil
Após a pandemia, o uso do transporte público no Brasil tem se recuperado gradualmente, mas permanece consideravelmente abaixo dos níveis observados até 2019.
De acordo com o relatório anual da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), enquanto em 2019 foram registradas 40,4 milhões de viagens, para 2025 a previsão é de 34,6 milhões.
Esses dados refletem uma tendência preocupante: cada vez menos brasileiros escolhem o transporte coletivo como opção de locomoção.
Além da redução no número de passageiros, a eficiência do sistema também foi impactada. O mesmo relatório indica que a produtividade das frotas diminuiu 40%, resultando em viagens mais longas.
As pessoas continuam utilizando o transporte coletivo?
Essa queda na produtividade, causada principalmente pelo baixo investimento em infraestrutura e pelo aumento dos congestionamentos, acaba por reduzir ainda mais a busca pelo transporte coletivo.
Contudo, relatório da Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostrou que os ônibus ainda são o meio de transporte mais utilizado pelos brasileiros, representando 31% dos deslocamentos.
O ônibus também se destaca como o meio de transporte mais barato, custando em média R$ 9,75 por dia, enquanto o carro próprio, por exemplo, exige um gasto médio diário de R$ 27,00.
Principais desafios do transporte público no Brasil
As pesquisas também indicam que grande parte da população que deixou de sair durante a pandemia não pretende voltar a usar o transporte público. Este posicionamento tem crescido devido aos desafios do transporte público no Brasil, que continuam a impactar significativamente sua qualidade.
Segundo dados divulgados pelo IBGE sobre o panorama atual do transporte público no Brasil, a superlotação permanece como um dos principais problemas, especialmente nos horários de pico.
Este fator está diretamente relacionado a outra reclamação dos usuários: a infraestrutura precária. O tamanho e a qualidade das frotas nos municípios brasileiros ainda são insuficientes para atender o público.
O relatório do CNT mostrou que quase 30% dos entrevistados mudaram seu modo de deslocamento, e os principais motivos citados para essa troca foram:
- Pouco conforto (28,7%);
- Falta de flexibilidade nos horários e nas rotas (20,7%);
- Tempo de viagem (20,4%);
- Mudança do local de trabalho (17,2%);
- Preço elevado da tarifa (11,8%);
- Insegurança (11,4%);
- Baixa confiabilidade (10,2%).
Como melhorar o transporte público no Brasil?
Todavia, ainda há esperança para o transporte público no país. Dentre os entrevistados pela CNT, 63,5% afirmaram que voltariam a usar o transporte público se houvesse mudanças. Veja algumas soluções que podem contribuir para a melhoria do transporte público no Brasil.
Bicicletários e estacionamentos perto de terminais
A fim de fomentar a intermodalidade no transporte, é uma medida importante instalar bicicletários e estacionamentos nas proximidades dos terminais de ônibus.
Esse tipo de investimento é especialmente vantajoso em cidades onde a malha de ônibus não cobre toda a área urbana, permitindo que pessoas que moram longe das linhas regulares se desloquem de bicicleta ou carro até os terminais e, a partir daí, sigam de ônibus.
Além disso, a integração entre modais contribui para reduzir o uso excessivo de automóveis em trajetos longos, diminuindo o congestionamento nas vias e tornando as viagens de ônibus mais rápidas e eficientes. Garantir a segurança desses espaços também é essencial para incentivar seu uso.
Refazer levantamentos de origem e destino
Para otimizar as frotas de ônibus e alinhar a oferta à demanda real da população, é essencial realizar novos levantamentos de origem e destino. Esse mapeamento permite identificar os principais fluxos de deslocamento na cidade, revelando onde as pessoas moram, trabalham, estudam e acessam serviços.
Com esses dados atualizados, é possível redesenhar rotas, ajustar horários e planejar integrações mais eficazes entre linhas, reduzindo sobrecargas em certos trechos e ociosidade em outros.
Além disso, levantamentos bem conduzidos ajudam a identificar áreas atualmente mal atendidas pelo transporte público, orientando investimentos futuros e promovendo maior equidade no acesso à mobilidade urbana.
Buscar receitas extratarifárias
Diversificar as fontes de receita do sistema de transporte coletivo, explorando áreas comerciais e espaços de publicidade (como busdoor, backbus e sanca) nos ônibus e terminais, é uma forma eficaz de custear o transporte sem aumentar as tarifas.
Este tipo de iniciativa é essencial, visto que, entre os passageiros que afirmaram que voltariam a usar o transporte público, 21,2% o fariam caso houvesse uma redução no valor da passagem.
Flexibilizar horário de trabalho no comércio e indústria
Elaborar um plano para reescalonar os horários de funcionamento das atividades comerciais e industriais pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a superlotação dos ônibus e os congestionamentos nos horários de pico.
Ao distribuir melhor os horários de entrada e saída dos trabalhadores, evita-se a concentração excessiva de deslocamentos em períodos específicos do dia, o que desafoga o sistema de transporte público e melhora o fluxo viário.
Essa flexibilização deve ser construída em diálogo com os setores produtivos da cidade e acompanhada de estudos de viabilidade, garantindo que a medida seja eficiente sem prejudicar a dinâmica econômica local.
Reduzir o uso de combustíveis fósseis
Substituir os combustíveis fósseis por combustíveis renováveis e ônibus elétricos é uma estratégia essencial para modernizar o transporte público no Brasil.
Além de reduzir a emissão de poluentes, essa transição torna a operação dos sistemas de transporte mais eficiente, silenciosa e econômica a longo prazo.
Ao investir em mobilidade sustentável, as cidades podem diminuir custos com manutenção e combustível, permitindo redirecionar recursos para ampliar a frota, melhorar a frequência das linhas e oferecer um serviço mais confortável e acessível à população.
Aumentar faixas exclusivas para ônibus
Expandir a implantação de faixas e corredores exclusivos para o transporte coletivo é fundamental para acelerar o tempo de viagem, aumentar a segurança dos passageiros e reduzir os custos operacionais.
Sistemas como o BRT (Bus Rapid Transit), que priorizam o tráfego de ônibus em vias segregadas, são exemplos bem-sucedidos de como essa estratégia pode tornar o transporte público mais rápido, eficiente e atraente para a população.
Atuação da CWBUS
A CWBUS é um hub de inovação em mobilidade urbana, localizado em Curitiba, que busca soluções para tornar o transporte no Brasil ainda mais sustentável. Para isso, realizamos e promovemos debates sobre transporte público, eletromobilidade e deslocamentos em cidades.
Se você quer se manter atualizado sobre o mundo do transporte, acompanhe nosso blog! Lá você encontra outros artigos como esse e conteúdo exclusivo.
